Vá e Veja: O Cinema Russo de Trincheira


Acabei de assistir o filme russo de 1985 “VÁ E VEJA” do realizador russo Elem Klimov. Nunca pensei que iria assistir algo parecido. Sem batalhas épicas, sem heróis fantásticos e sem um sentido lógico. Para quem é acostumado a filmes como: Além da Linha Vermelha, Apocalipse Now, O Resgate do Soldado Ryan e outros clássicos filmes de Guerra, esvazie suas mentes, não espere muito deste filme, mas tenho certeza que se surpreenderá. É um filme trágico, caótico, as vezes até confuso e sobretudo poético. A história se resume no jovem Florya (Aleksei Kravchenko) camponês pobre da Bielorrússia em 1943, praticamente extirpado de sua família é recrutado para um grupo guerrilheiro afim de combater o tenebroso avanço nazista, suas experiências e o mergulho ao mundo imundo desta guerra sangrenta é um caminho sem volta ao inocente e plácido menino. Mais impressionante, que não é um filme de batalhas campais de duelos grandiosos, é um retrato real e cru da voracidade e impiedade do exército alemão. É uma espécie de violência implícita, desde que o filme começa há uma sensação de desconforto constante em assistir, em certos momentos pensamos até porquê estamos assistindo, mas sem nenhum exagero a performance do ator Aleksei Kravchenko faz valer cada segundo, além de um elenco de atores muito bem escolhidos.

Vá e Veja, não tem relação com nenhum filme ocidental de guerra, alias acredito que Steven Spielberg odiaria filmes russos como este, pois se trata de um filme feito muito mais do universo e das tragédias pessoais dos camponeses, do que um filme preocupado com acontecimentos históricos e relevantes para o expectador. É um filme realista no âmbito humano, a crueldade, as gargalhadas, os abusos dos soldados de Hitler com o indefeso povo Russo, é o pano de fundo da história e Florya é a testemunha ocular deste pesadelo real.

Um detalhe relevante é que desde o momento que Florya é recrutado até o fim ele é chamado de novato, isto mostra que todas atrocidades vividas e cometidas ainda foram poucas diante das que aconteceram e que estaria por vir. Sem apologia ao Comunismo, mas a imensa fonte criativa dos cineastas russos durante o período soviético é uma coisa incrível, quem acredita ser um conhecedor de cinema assistindo filmes norte-americanos ao assistir um único filme russo perceberá não saber absolutamente nada, afinal de contas para fazer cinema não se precisa de bilhões de dólares, nem de um super estúdio, muito menos de um elenco de ponta, mas apenas uma coisa: criatividade.

Cena decisiva do filme, onde Florya pousa para uma foto diante de uma arma em sua cabeça