Pavel Filonov "O Poder da Resistência na Arte"


Há algumas postagens atrás escrevi sobre a Arte Russa, fora do círculo artístico dos grandes pintores famosos do séc.XX como Kazimir Malevich, El Lissitizky Wassily Kandinsky, Vladimir Tatlin e Marc Chagall. Mesmo assim entre tantos mestres russos, faltou um artista de grande qualidade artística que foi apresentado por meu amigo artista Rubens Matuck. Seu nome é Pavel Filonov (Па́вел Никола́евич Фило́нов), ou simplesmente Filonov. Viveu uma vida cheia de embates, todavia que não aceitou ou sucumbiu ao estilo imposto pelo governo autocrata de Joseph Stalin, o famigerado “Realismo Socialista”, preferiu usar sua boa formação como artista para inventar o Anti-Cubismo ou Realismo Analítico, este baseava na forma geométrica intrínseca nas figuras, ou seja a geometria existente nas formas naturais: pessoas, lugares, objetos e etc, alegando que o cubismo submetia as “os objetos reais” as formas geométricas, muitas vezes negando totalmente a base do desenho e da pintura clássica.

A obra de Picasso e Filonov 
A proximidade entre ambos se dá ao fato do uso da forma geométrica, mesmo assim é como se houvessem forças antagônicas entre eles. Tanto Picasso como Filonov eram exímios desenhistas, a diferença fundamental é que a qualidade de desenhista em Filonov sempre foi patente, já que Pablo Picasso buscava a desconstrução de sua obra como disse certa vez: “Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças“. Nada modesto o artista malaguenho que se compara a um “mestre” da alta renascença ainda em sua adolescência. Estas diferenças fazem Filonov ser um artista de resistência, por ter sobrevivido num período da frutífera Rússia “Anti-Cultura”, sua irmã Evdokia Yevdokiya Glebova(Retrato abaixo) foi a responsável por suas obras terem chegados a posteridade, pois seus trabalhos foram negados por museus e pelo estado, pelo fato já citado de não se enquadrar ao estilo de arte aprovado pelo Governo Comunista.

A influência da Pintura Medieval, sobre tudo da tradição do Ícone Bizantino, além do contato natural com pintura de ícones religiosos típicos da cultura do Leste Europeu, onde geralmente é colocado no canto extremo das residências russas, Filonov restaurou algumas destas obras religiosas em Leningrado e inevitavelmente foi influenciado por esta tradição milenar presente deste o antigo Império Bizantino, vemos em obras como (Holy Family) Sagrada Família, a estrutura e o tratamento das imagens bastante semelhantes com a figuras dos ícones.


O Fim 
Nascido em Moscou no ano de 1883, Filonov radicou-se na antiga cidade de Leningrado, hoje chamada de São Petesburgo, estudou na lendária Academia Imperial de Artes de S.Petesburgo e foi expulso em 1910, por infelicidade faleceu em 1941 quando as tropas nazistas cercaram sua cidade na Segunda Guerra Mundial. Houve uma lenda após sua morte, a todos que ousassem saquear ou roubar suas obras o fantasma de Filonov atormentaria a pessoa, tornando-a paralítica ou tendo infortúnios semelhantes.

Auto-Retrato de 1921

“Cabeça” de Pavel Filonov, 1930 “Uma visão Geométrica Figurativista”

Retrato de sua querida irmã Evdokia Yevdokiya Glebova de 1915

Cabeças de 1910 “Esta obra exemplifica a qualidade de exímio desenhista, muitas vezes até adiantando o que seria chamado décadas depois de Surrealismo”

Pavel Filonov e Sagrada Família de 1914

Andrei Rublev – Arcanjo Gabriel, 1410 “Andrei Rublev foi o pai da Pintura Russa e se tornou um mestre na arte de pintar Ícones”

Pavel Filonov – O Homem na Carroça de 1915