O Expressionismo Intenso de J. E. Grassi


Seu nome é José Eduardo Grassi(1978), sua arte dispensa questionários quanto as suas influências. Embora seja um artista contemporâneo, sua maneira de pintar e ver o mundo se assemelha com os artistas Modernos do fim do século XIX e início do séc. XX. A priori podemos compara-lo com o holandês Van Gogh pelas cores e pelo tratamento das figuras, quase sempre mais expressivas que acadêmicas. Superficialmente seu trabalho pode ser visto assim, como descrevi, mas muito longe disso suas naturezas-mortas, paisagens e retratos distanciam-se disso. Em “Natureza-Morta com Doces” nos deparamos com uma composição complexa, bem distribuída de acabamento liso, diferente de Morandi por exemplo suas garrafas trazem uma mensagem poderosa de cores e vida, diferente também de Van Gogh da Natureza-Morta Clássica, seus objetos não se escondem na escuridão nem são explicitamente “expostos”, carregam sua própria poética.

Neste Auto-Retrato existe uma solução simples e poderosa na solução da figura. Num fundo Azul Ultramar claro e sobre uma poltrona Vermelha, estabelece o rosto de traços livres, com olhos consternados, olhando para o vazio. O contorno da roupa reforça a força da figura, fazendo uma relação da mesma com o fundo azul da mesma cor. Os tons baixos se contrapõem com o Amarelo vivo do rosto, que variam entre o Laranja e até com o Cinza. Como já mencionado, a experiência plástica dos Expressionistas e dos Fauvistas advinham das cores primárias ou de suas misturas, neste retrato podemos concluir que sobre tudo no rosto a uma quebra destas Cores Puras, com Cinzas, Azuis e Pretos. Diferente da maioria de seus trabalhos, a Paisagem Urbana abaixo pode ser resumida por três elementos, Linha, Contorno e Cor Chapada. A predominância de Verdes e Amarelos são fundamentais na construção desta imagem, com detalhes em Azul cerúleo e Vermelho, fecham a tensão na edificação central. As nuances são mínimas entre as cores, podendo ser classificado com um quadro de poucos contrastes, porém mesmo não sendo um gravador, Grassi usa a força do Negro em seu trabalho, afim de resolver a problemática das imagens, sem o preto esta obra não teria a mesma intensidade. Noite de 2010, lembra o universo da “Die Brücke” dos artistas alemães do início do séc. XX, talvez o universo de Oswaldo Goeldi e Lasar Segall, pessoas de um mundo misterioso ou solitárias mesmo que acompanhadas. Fechando este texto, com a obra mais enigmática e simbólica das quatro analisadas. Há um antagonismo evidente nesta cena, a predominância dos Tons Quentes faz o elo entre a figura do primeiro plano e do segundo, apesar deste ponto comum, existe o embate das forças da alegria e da tristeza. A mulher de avental segurando uma panela, emana alegria e ternura, no contraponto está o homem de roupa tricolor a frente, seu rosto não demostra qualquer expressão a não ser o de seus olhos serem absolutamente negros. Dois universos díspares, as flores por trás parecem estar num vendaval e assim a figura feminina no centro já não é terna como outrora. Noite carrega este peso, esta missão de ser sombria, de ser alegre ou triste de ser a Noite de José Eduardo Grassi.

Por: Waldir Bronson 
Primavera de 2012 Abaixo texto crítico de Oscar D’Ambrosio sobre a obra de José Eduardo Grassi ou Edu Grassi

O caminho do fazer

A atividade artística exige, acima de tudo, uma certa disciplina. Não basta ter talento e achar ques as exposições e o reconhecimento virão naturalmente. É na prática cotidiana do ofício e no vigor do enfrentamento com o próprio trabalho que as possibilidades progressivamente se abrindo. Nascido em Avaré-SP, José Eduardo Grassi revela a qualidade da inquietação artísitca desde os seus primeiros quadros. Sua busca por resultados cada vez mais significativos se dá pela maneira como de dedica a obter dos materiais o máximo possível. Seja nas naturezas-mortas, que realiza tanto com espessas camadas de tinta a óleo ou com pinceladas mais curtas e simétricas, estabelecendo uma atmosfera mais delicada, ou em cena de mulheres se banhando próximas a uma cascata ou na imagem de um artista no ateliê, há o mesmo rigor. Fernando Pessoa diz que “O homem é o tamanho do seu sonho”. José Grassi traz em si a dimensão da pintura como uma expressão autêntica de um estado de espírito perante o mundo presente ainda na reprodução de um dos muito auto-retratos de Rembrandt colada atrás da porta do seu ateliê. Nesta imagem esta condensada o futuro do jovem artista de Avaré: adensar a sua pintura feita de massas e pinceladas seguras em direção a uma construção visual caracterizada pelo estudo do ato de pintar em si mesmo, deixando o assunto em segundo plano. Afinal, como os mestres ensinam, a grande arte surge, no fundo, sempre da capacidade de levar aquilo que se tem de melhor dentro de si mesmo para a tela. Somente assim é possível gerar um impacto que cative o observador à primeira vista e em gradativas visões mais aprofundadas.

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA – Seção Brasil).

Grassi, “Natureza com Doces” de 2009

Auto-retrato de José Eduardo Grassi de 2006

Casarão Antigo de Avaré de 2011 “Técnica Mista”

Noite de 2010 “O Espírito da Die Brücke”