Grandes artistas Portugueses desde a Renascença

A Renascença Portuguesa

Em seu livro “Da Pintura Antiga” de 1548 , Francisco de Holanda escritor e artista português, referiu-se a Nuno Gonçalves como uma das “águias” da arte européia do séc. XV. Esta citação do séc.XVI refere-se ao pilar principal  da pintura portuguesa: Nuno Gonçalves. O maior pintor português antigo. Pouco se sabe sobre este artista, seu registros são apenas do curto espaço de tempo que trabalhou para a corte lusitana. O políptico de São Vicente de Fora, retrata toda sociedade portuguesa daquele período e é não só uma obra de arte, mas um documento histórico e antropológico, sobre como era dividida socialmente a população daquele país. Seguindo da esquerda para a direita temos ao todo 6 painéis, o primeiro: 1* Painel dos Frades, 2* Painel dos Pescadores, 3* Painel do Infante, 4* Painel do Arcebispo, 5* Painel dos Cavaleiros, 6* Painel da Relíquia,  neste último painel vemos a Torá na mão de um Judeu vestido de preto, ainda nesta época a sociedade lusitana era composta por Judeus que foram expulsos da Península Ibérica em 1495, talvez devido a este fato, o poderoso Reino Português tenha entrado em declínio. Como vemos através dos títulos temos desde o Clero, até a Plebe representada por aqueles que também fizeram os tempos de glória do “Portugal dos Mares”: os pescadores. No painel 3* vemos “D.Afonso V, O Africano” ajoelhado e em seu boletim quando inclinado a 180°, revela-se as iniciais de Numo Gonçalves NG. Era bastante comum, encontrar artistas lusos influenciados pela pintura dos países baixos, sobretudo dos irmãos Van Eyck, como podemos observar nesta obra. Sem dúvida, Nuno Gonçalves deixa um tesouro de requinte e valor histórico para a posteridade.

Nuno Gonçalves autor do Políptico de São Vicente de Fora, 1445 “Retrata a Sociedade Renascentista Portuguesa do séc. XV. do clero e das conquistas dos mares”

Período Romântico da Arte Portuguesa

Durante o período correspondente ao final do séc. XVIII e início do século XIX, a pintura portuguesa teve um grande representante em sua arte, o pintor Sacro Domingos António de Sequeira, ou Domingos Sequeira (1768-1837). Este artista de grande sensibilidade artística, focou suas obras em temas Sacros e Retratos. Entre sua numerosa produção destaque para tela “São Bruno em Oração“, influenciado pelo Chiaroescuro de Caravaggio, mas com uma devoção cristã como a do pintor espanhol Francisco de Zurbarán. O famoso historiador da Arte, professor das Universidades de Hamburgo, Nova York e Harvard “Erwin Panofsky” em seu livro, frisa o artista como representante português do Período Romântico da Arte. Existe algo em Domingos Sequeira, que lembra Rembrandt, no entanto é uma afirmação vaga, já que não tenho documentos que este artista tenha tido contato com a obra de tal pintor. Sequeira passou por diversos países e radicou-se no final da vida na França e na Itália, onde veio falecer em 1837 na cidade de Roma, aos 79 anos de idade.

Impressionismo

O impressionismo foi muito bem representado na Península Hipérica pelo grande “José Malhoa” (1855-1933), pintor de caráter observador que introduziu o “naturalismo” em Portugal. Sua obra é extensa e realizou exposições não só em seu país, mas em Madrid e no Rio de Janeiro. Em 1933 após sua morte, foi criado o Museu de José Malhoa em sua memória. Seu pintura alterna quadros iluminados como dos Impressionistas Franceses e alguns sombrios, como pintados numa Taberna. Sua formação é Acadêmica vinda da Real Academia de Belas-Artes de Lisboa, mesmo assim ele não se limita ao academicismo reacionário e ousa mais em sua pintura, destaque para sua obra-prima: “O Fado” de 1910

Portugal e As Vanguardas do séc.XX

José Sobral de Almada Negreiros, conhecido como Almada Negreiros (1893-1970) foi uma importante figura do Modernismo em Portugal, seu trabalho engloba várias áreas e não só a pintura. Nascido em São Tomé e Príncipe, colônia portuguesa na África, veio para Portugal jovem e iniciou seu trabalho como Desenhista de Humor, auxiliou na criação da Revista Moderna “Orpheu” e tem alguma influência do Futurismo Italiano, sua obra mais famosa foi o retrato de Fernando Pessoa, seu amigo. Esta obra alcançou um valor comercial nunca antes visto na Arte Portuguesa da época, tamanho sua importância e popularidade.

As Pintoras Portuguesas

Maria Helena Vieira da Silva, a Vieira da Silva (1908 – 1992) foi uma importante pintora abstrata portuguesa, sendo uma representante proeminente do Abstracionismo Informal europeu. Vieira da Silva estudou com o cubista Fernando Léger em Paris e casou-se com o pintor húngaro Árpád Szenes, durante a Segunda Guerra Mundial se refugiou no Brasil, pelo fato de seu esposo ser judeu e teve contato com importantes expoentes modernistas brasileiros, entre eles Carlos Scliar e a pintora Djanira, exercendo grande influência entre estes.

Paula Rego (1935) é o maior nome vivo da Arte Portuguesa. Paula Rego se estabeleceu em Londres desde os anos 50 devido as restrições da Ditadura atroz de António Salazar em Portugal. Paula faz parte uma tradição figurativa que ainda sobrevive a duro custo na Arte Contemporânea, alguns artistas figurativos de renome escolheram também a capital da Inglaterra como reduto, nomes como do alemão Frank Auerbach e o falecido Lucian Freud, todos estes pintores tem um ponto em comum além da expressividade, são conhecidos por trabalharem forte e terem uma grande produção artística. A pintura de Paula Rego retrata um mundo muito particular, cenas enigmáticas, que alternam erotismo e figuras oníricas do universo de sua arte.

Arte Contemporânea(Séc.XXI)

Alexandre Farto, ou Vhils (1987) é um importante artista contemporâneo português e trabalha com ruínas e lugares deteriorados urbanos. Seus retratos são gravados em paredes e muros em diversas capitais mundiais, rostos que são esculpidos e acabam fazendo parte da paisagem urbana local. A arte de Vhils pode ser chamada de Intervenção Urbana, mas também flerta com outras técnicas tradicionais, mesmo sendo uma “Street Art”.

Embora muitos pesquisadores, professores e historiadores tenham renegado o papel de Portugal no contexto mundial da História da Arte, é inegável sua contribuição e seu valor, sendo um país dono de inúmeros Pintores, Escultores e Arquitetos de altíssimas qualidades. Assim a ideia centralizadora de sempre acreditar que somente na França, Itália e agora nos EUA existiram e acontece “Arte de Boa Qualidade” é uma inverdade e é por isso que venho escrevendo esta série de textos, intitulados de Discutindo a Arte.

Detalhe da Torá do Painel da Relíquia, vale frisar que o autor quis mostrar que as páginas estão sendo viradas no sentido anti-horário como são as escrituras sagradas judaicas

Adoração dos Magos de Domingos Sequeira “A obra de Sequeira tem uma áurea Romântica diante de temas Sacros”

São Bruno em Oração de Domingos Antonio de Sequeira, 1800-1801

“O Fado” de José Malhoa é um símbolo da pintura portuguesa moderna, 1910

Almada Negreiros, Retrato de Fernando Pessoa de 1964

Auto-Retrato de Almada Negreiros “Almada Negreiros não se limita apenas as Artes Plásticas e contribuiu na Dança e na Literatura”

Maria Helena Vieira da Silva – “Partida de Xadrez”, 1943 “A Pintura de Vieira da Silva, tem este aspecto labiríntico e ao mesmo tempo abstrato“

Água-Forte e Água-Tinta – “Palha Queimando”, 1996 “Além da pintura, Paula Rego tem uma respeitada produção em Gravura(Acima), alguns de seus modelos(Bonecos) são confeccionados por ela mesma”

Retrato esculpido de Vhils em uma rua no Rio de Janeiro, 2012