CIDADÃO KANE: O Retrato dos Imperadores do Séc. XX


O filme “Cidadão Kane” de 1941 é considerado por muitos o maior e mais completo de todos os tempos, seu Diretor e Ator principal Orson Welles nunca alcançaria tamanho sucesso em sua carreira. Basicamente o filme retrata a vida de Charles Foster Kane, um menino adotado, que em sua vida adulta consegue erguer um verdadeiro império nas comunicações, sendo dono de dezenas de Jornais, Emissoras de Rádios e veículos de comunicação. A visão de Orson Welles diante deste poderoso magnata não é de admiração, muito menos um documento sobre um prodígio do Capitalista e do estilo “American Way Life”, a visão de Welles, é como figuras como Kane, podem controlar e manipular nossas vidas através do poderoso poder da mídia. Cidadão Kane é tudo que há de mais sórdido no mundo, suas atitudes são políticas e seus pensamentos giram em torno de suas riquezas.

Logo no início da trama, o velho Kane vem a falecer e instantes antes de sua morte, profere a palavra “Rosebud”, um jornalista passa a procurar o significado desta palavra, colhendo informações com pessoas que foram próximas a Kane, assim remontando a personalidade frágil e fútil de um homem visto por todos como indestrutível. A visão do magnata Rei das Comunicações, foi muito polêmica na época e associada a vida de um magnata da vida real e um dos maiores, conhecido como William R. Hearts, no entanto mesmo havendo muitos pontos em comum entre Hearts e Kane, Orson Welles sempre negou a ligação com o Milionário Norte-Americano. No Brasil foram comparados a Kane, comunicadores como Roberto Marinho e Assis Chateaubriand, pelo monopólio e acesso a diversos meios de comunicação. Uma curiosidade ou talvez “Desventura” é que após esta maravilhosa obra, Orson Welles não obteve mais carta branca nos grandes estúdios de Hollywood, mesmo mantendo sua notoriedade com participações curtas, mas marcantes em filmes como ator e Dirigindo bons filmes com pouco orçamento. Orson Welles foi esquecido ingratamente pela Indústria Segregadora Cinematográfica Norte-Americana, talvez por ter tocado num ponto tão importante que é a “crítica” e ter mexido com pessoas tão poderosas como William R. Hearts. Embora o Cinema Americano, seja a maior fonte de expressão e até financeira daquele país, ele não vai além de filmes com “Histórias Comuns” que se repetem a quantidades astronômicas e buscam unicamente e exclusivamente o sucesso financeiro.