As Cidades Vazias de Oswaldo Goeldi


Hoje citarei o maior nome das artes gráficas brasileiras, longe de ter a fama de um Portinari ou o reconhecimento de uma Tarsila, porém tão grande quanto ambos, seu nome é Goeldi, Oswaldo Goeldi. Me recordo que no início da minha vida artística, quando minha ignorância era imensa as artes plásticas(ainda é), me deparei com uma pequena reprodução de uma obra de Goeldi, tenho quase certeza que era ele. Deste então, comecei a usar um pouco do vermelho, em meus trabalhos que eram predominantementes preto e branco. Anos depois iria descobrir que era Oswaldo Goeldi e que aquela obra que ví provavelmente era “Chuva” de 1957.

Filho do naturalista suíço Emílio Goeldi, Oswaldo Goeldi nasceu no Rio de Janeiro, porém com apenas cinco anos viaja para Berna na Suíça. No ano de 1917 em Genebra matriculasse na Escola de Artes e Ofícios, desisti do curso, frequenta os atelies de Serge Pahnke e Henri van Muyden, neste mesmo ano faz sua primeira exposição. Dois anos depois em 1919 retorna ao Rio de Janeiro, publica seus trabalhos em alguns periódicos, participa da Semana de Arte Moderna de 1922, porem sua maior guinada viria acontecer na década de 30 com o lançamento do albúm 10 Gravuras em Madeira de Oswaldo Goeldi, apartir daí iria se tornar importante ilustrador de livros, com participações em Bienais como a de Veneza (1950/52 e 1958), São Paulo (1951/53 e 1955) e premiações com na II Bienal Interamericana do México (1960).

A técnica a qual iria se tornar conhecido e consagrado seria ensinada por Ricardo Bampi em 1923, que o inicia na xilogravura. A questão da xilogravura se funde com a próprio estilo de Goeldi que é o expressionismo, técnica de cores chapadas e onde na placa de madeira, fica registrado o próprio movimento do autor, foi muito usada pelos artistas alemães, do movimento Die Brücke (A Ponte). O trabalho gráfico de Goeldi se inicia com uma xilogravura monocromática e vai evoluindo com o acréscimo de mais cores. Ao longo de sua carreira este também fez desenhos e algumas aguadas, mas são demasiadamente fracos perto de sua gravura.

A figura da solidão em suas obras é uma característica marcante, cidades ermas, vilarejos vazios, pode ser interpretado como a própria solidão do homem moderno, tema recorrente de alguns artistas como o americano Edward Hopper (embora ambos não tiveram nenhuma ligação direta). Este tema acolhido em suas obras trás a poética que suas gravuras transmitem, a instrospecção, um aspecto de sua própria personalidade taciturna.

Amizade e Influência de Alfred Kubin

Em 1917, Goeldi conhece a obra de Alfred Kubin na Galeria Wyss em Genebra(Suiça), artista expressionista austríaco, marca profunda influência em sua obra. Sua pintura é vigorosa e forte, sua obra pode ser classificada como uma espécie de “Expressionismo Onírico”. A troca de correspondência entre ambos, sempre com muita cordialidade e com o passar dos anos até uma certa demonstração de intimidade, segue até o final de sua vida.

Cores nas Sombras

Um aspecto importante na obra de Goeldi são o uso de cores, nas fases dos anos 10, 20, 30 podemos notar uma arte monocromática, com pretos absolutos. A partir da década de 40 o uso do camafeu, técnica de xilogravura com encaixe de cores, surge e trás um aspecto pictórico como é o exemplo de “Chuva” de 1957, onde o Guarda-Chuva tem sua variação cromática construída com o pincel.

Casas – Bico de Pena, 1930 “Casas com expressões de espanto e pessoas confusas na cidade da solidão.”

Nuvens, 1950 “Pescadores, iconografia recorrente em sua obra”

Emil Nolde – O Profeta, 1912 Exemplo da xilogravura expressionista alemã, mãe da arte de Goeldi

Cais, 1929

Solitário, 1930

Luz sobre a praça. 1949

Nanquim de Alfred Kubin Semelhança ou coincidência?

Chuva – Xilogravura, 1957